Há dias em que não se pode sair de casa

Autores: 

Isabel Prieto, João Cabral, A Souza e Silva, P. Santos Kaku, F.E. Esperancinha

Resumo: 
     Os autores apresentam em vídeo um caso de cirurgia da catarata que, ao contrário do que seria de prever, decorreu de forma atribulada.
     Tratava-se, supostamente, de uma catarata mole, que iria ser operada pelo interno, com anestesia geral. Dadas as condições anestésicas, foi necessário efectuar a cirurgia sob anestesia tópica, pelo orientador de formação.
     Afinal, era uma catarata muito densa, com deficiente visualização da cápsula anterior, e corante... não havia!
     Além dos vários contratempos ocorridos no decurso da facoemulsificação, ao colocar a lente intra-ocular com injector, verificou-se que esta não só ficou invertida como também se apresentava rasgada.
     Retirou-se a lente mantendo a incisão, mas não se dispunha de nova lente com igual potência pelo que se colocou uma lente dobrável, de maior diâmetro, com pinça.
     Surpresa: a lente ficou novamente invertida! Optou-se então por lhe dar a volta dentro do saco.
     Depois de concluir que existem sacos capsulares muito resistentes, e pensando que estaria terminada a cirurgia, foi necessário suturar a incisão com um ponto, dado que esta não se apresentava estanque.
     Perguntando à doente se estava tudo bem, esta respondeu: “Estou a gostar imenso, Senhora Doutora!”.

 

Apresentado: 
no XLIII Congresso Português de Oftalmologia, em Vilamoura, Novembro-Dezembro de 2000