Tumores dos Anexos: Diagnóstico Clínico Versus Histológico

Autores: 

João Cabral, Filomena Costa e Silva, Cristina Vendrell, Isabel Prieto, Salete Silva, F. Esteves Esperancinha

Resumo: 
     Introdução: A grande diversidade dos tecidos que compõem os anexos oculares manifesta-se não só nos múl­ti­plos tipos de tumores que aí se originam como também nas várias formas de apresentação, o que por vezes torna o diagnóstico clínico difícil, obrigando a aguardar por uma confirmação do exame anátomo-patológico (AP).
     Material e métodos: Os autores descrevem quatro casos clínicos de tumores dos anexos:
     Caso 1: Homem de 66 anos, com aparecimento de lesão pigmentada no terço externo da pálpebra inferior, ulcerada, compatível com carcinoma baso-celular, e que foi confir­mado por exame AP após ressecção em bloco e retalho de deslizamento de Tenzel.
     Caso 2: Mulher de 58 anos, com aparecimento de pequena elevação fusiforme da pálpe­bra superior, de tipo verrugosa, cujo resultado AP revelou tratar-se de um carcinoma baso-celular com padrão adenóide.
     Caso 3: Mulher de 82 anos, com história arrastada de volumosa formação nodular, com larga base de implantação, no canto interno do olho esquerdo. Foi feita a excisão em bloco e coberto o defeito com retalho de rotação da glabela. O resultado AP foi de quisto quera­tinocítico de tipo triquilénico (tricoepitelioma).
     Caso 4: Mulher de 77 anos, com volumoso tumor da pálpebra superior, de crescimento rápido e doloroso. Foi feita a excisão da lesão, cujo resultado AP revelou tratar-se de um carcinoma de células de Merkel.
     Conclusões: Nem sempre é fácil fazer um diagnóstico correcto dos tumores dos anexos. Para estarmos preparados para qualquer tipo de resultado histológico, há que programar bem a cirurgia a realizar.

 

Apresentado: 
no XL Congresso da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, em Coimbra, Novembro de 1997