Embolização de Fístula Pial Intracraniana com Histoacril: Repercussões Oftalmológicas Antes e Depois

Autores: 

João Cabral, Luisa Biscoito, Rui Manaças, F. Esteves Esperancinha

Resumo: 
     Introdução:  A proptose espontânea pode ser sinal de malformação vascular intra­cra­niana quando esta se localiza ou drena para o seio cavernoso.
     Material e métodos:  Doente do sexo masculino, de 62 anos, com apare­ci­mento es­pon­tâneo, há cerca de 1 ano, de proptose acompanhada de ingur­gi­tamento venoso conjun­tival, e frequente­mente, de um latejo intra­cra­niano. Durante 8 meses esteve medicado com colírio, sem melhoria da sintoma­tologia. Apesar da TC e da RM não terem revelado alte­rações do seio cavernoso, a angio­grafia cerebral revelou fístula arteriovenosa pial junto ao seio longitu­dinal superior com drenagem para veia cortical, seio esfeno-parietal e seio cavernoso direito, situação fisio-patológica pouco frequente. Foi realizada em­bolização da malformação e da veia de drenagem com cola (Histoacrylâ).
     Resultados:  Após a embolização da malformação houve desapare­cimento imediato do latejo intracraniano e regressão gradual da proptose e do ingurgitamento venoso conjun­tival.
     Conclusões:  Para além da clássica fístula carótido-cavernosa, o oftal­mo­logista deve ter presente a existência de outra patologia vascular intra­craniana com repercussão oftalmo­lógica. A propósito deste caso, ilustrado também em video, os autores descrevem os tipos de malformações vasculares intra­cra­nianas que se podem manifestar inicialmente por sinto­mas oftalmológicos, bem como a sua investigação diagnóstica e tratamento.

 

Apresentado: 
no XL Congresso da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, em Coimbra, Novembro de 1997