Adenoma pleomórfico da glândula lacrimal – qual a abordagem cirúrgica?

Autores: 

Samuel Alves, Gonçalo Almeida, Mara Ferreira, Maria Manuela Bernardo, João Cabral

Resumo: 
     Introdução: O adenoma pleomórfico é o tumor primário da glândula lacrimal mais frequente. Devido ao risco de malignização, deve ser diagnosticado e tratado precocemente. Surge em adultos, sem preferência de género. Na maioria dos casos apresenta-se por proptose e distopia progressiva com evolução lenta, indolor, sem sinais inflamatórios nem diplopia.
     Material e métodos: Descrição de 4 casos clínicos de doentes com proptose indolor e hipotropia, sem outras queixas oftalmológicas, com vários anos de evolução. Realizou-se exame oftalmológico completo, Ecografia, TC orbitaria e excisão por orbitotomia anterior transpalpebral (3 casos) e lateral com osteotomia (1 caso).
     Resultados: Nos 4 casos removeu-se a massa tumoral encapsulada integra. Histologicamente revelaram-se ser adenomas pleomórficos. Os doentes encontram-se em vigilância clínica e imagiológica regular, sem evidência de recidiva.
     Conclusão: Apesar de raro, o seu diagnóstico e correcto tratamento é essencial.  Uma vez que a biopsia tumoral aumenta o risco de recidiva e de malignização, o diagnóstico definitivo realiza-se com a análise histológica da peça operatória. O bom prognóstico depende essencialmente da remoção total da massa encapsulada. Mediante o grau de suspeição clínica e imagiológica de agressividade do tumor deve-se ponderar orbitotomia lateral com osteotomia. A orbitotomia anterior é uma boa opção cirúrgica para o adenoma pleomórfico.

 

Apresentado: 
no 51º Congresso Português de Oftalmologia, no Porto, Dezembro de 2008