Autores:
João Rodrigues, Fernando Vaz, Filomena Ribeiro, Susana Teixeira, João Cabral, Luísa Biscoito
Resumo:
Introdução: Os meningiomas representam 13 a 18% de todos os tumores intracranianos primários, surgindo em 90% dos casos em indivíduos com mais de 30 anos e são 2 a 3 vezes mais frequentes na mulher. Os autores apresentam um caso clínico de meningioma supraselar associado a síndrome quiasmático num doente assintomático.
Caso clínico: Doente de 66 anos, do sexo masculino, recorre à consulta de Oftalmologia para revisão da refracção, sem queixas oftalmológicas. Apresentava acuidades visuais com correcção OD < 1/10 e OE 7/10, pressão intra-ocular OD 10 mmHg e OE 12 mmHg. A oftalmoscopia indirecta revelou à direita atrofia do disco óptico (palidez total e escavação de 6/10) e à esquerda palidez acentuada do disco óptico no sector temporal. O doente foi ainda submetido a estudo campimétrico (PEC, programa N1), que revelou defeitos bi-temporais e escotomas centrais. Perante o quadro de síndrome quiasmático, o doente foi submetido a Tomografia Computorizada (TC) e Ressonância Magnética (RM), tendo esta revelado a presença de uma lesão tumoral em localização supraselar comprimindo o quiasma óptico, pelo que foi colocada a hipótese de se tratar de um meningioma do jugo esfenoidal. O doente foi referenciado para a Neurocirurgia e submetido a intervenção cirúrgica.
Conclusão: Na presença de um doente assintomático, com alterações campimétricas bitemporais e sinais de atrofia óptica é importante o despiste de patologia que envolva o quiasma óptico através de estudo imagiológico, nomeadamente por RM.
Apresentado:
no XLIV Congresso Português de Oftalmologia no Porto, Novembro-Dezembro de 2001